A comunidade da boa solidão
Vivemos um momento especial de conectividade, de simultaneidade, de participação na vida alheia, onde tudo acontece à medida que se queira - mesmo que esse querer seja induzido por dopaminas. Há uma sensação diária de liberdade, de poder chegar a qualquer um, a qualquer parte e de alguma maneira "triunfar". Um tempo particular de "comunidade", uma comunidade virtual que se estende através de comentarismos, de postagens, de ritmo intenso de todos se expressando, de uma revelação continua e transparente dos nossos cotidianos e intimidades. Se no território virtual estamos escancarados, por outro lado, vivemos um momento em que medimos exatamente a distância de um toque alheio em nossas vidas concretas, em nossa casa, em nosso campo e corpo. As câmeras estão devidamente apontadas na garagem. Nossos bens correm perigo, vidas. E fazemos bem em impor limites. Mas a faca tem dois gumes, diria vovó. Entre querer milhares de seguidores e ninguem na nossa porta, não parecem...


