Caiu do Jamelão
- Você sabe né, que na favela se chega na escola antes de
tudo acordar.
O Macumba já estava na esquina. Macumba era o menino
encarregado de cuidá-la. Era uma dúzia de gente que cuidava da diretora, porque fazia milagre todo santo dia, 700 crianças pra dar conta "ninguém aguenta, só ela". Os traficantes disseram que com Macumba tudo ficaria na paz. As mães de
santo lhe rezavam, as mães solteiras também e o seu Chico, dono
da bombonaire, lhe guardava os melhores chocolates.
Nesse dia seu Chico já estava acordado fritando pastéis, eram como 5h40. A diretora encarava novamente a madrugada "naquela hora mais escura, sabe?" Era todo dia o mesmo medo, ia a passos rápidos, deu bom dia ao pequeno Macumba, entrou pelo portão da escola, passou pelo pé de Jamelão mais relaxada, tinha chegado, quando de repente caiu como um raio dois pequenos corpos entrelaçados, eletrizados, que lhe tombaram no chão.
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
O
pavor lhe tomou o corpo, seu berro grosso cruzou toda quadra. Vieram correndo para ver quem tinha morrido!!
A diretora estava ainda no chão, soltando os mesmos gritos de
quando expulsava os PMs da escola:
- Eessees morcegos, caralho! Que é isso, onde já se viu!
Mandou os meninos buscarem rápido na internet. Como dois morcegos tinham lhe causado isso!
- Tia... aqui diz que os bichos... tiveram um orgasmo...eles soltam um raio elétrico quando...
Janjan não se aguentou. - você tá de brincadeira né moleque. -E riu com todos.
- Sempre os loucos de amor atrás de mim, sempre essa putaria toda!
Macumba ria. O pé de jamelão viraria o novo espaço de visitação da escola, a palavra orgasmo entraria na boca de todos como tanto se tentava evitar.
- Esse é o tipo de coisa que acontece, minha filha...

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