Vagaroso
Luz de outono
O amarelo queimado aparece
Na cerca velha de bambu
Abril vagaroso..
Depois das marcelas e o lírios do pampa
as águas voltam a minguar o que delira
Não chove mais como se aliviasse
Chove como se o mundo se recolhesse para ver desde a memória
O frio se mete entre os dourados do verde
O frio recomeça em cada abril e sobe como um
velho amigo
Entre nós os amores perseguidos e por isso verdadeiros
O nascimento das montanhas, as camas engruvinhadas, os votos sem palavras, pernas enroscadas...
As viagens ao centro, a tundra
A bruma sobre a pedra farta
Andes, pampas.. e os mitos de júpiter em alguma terra longínqua
Onde quer que o outono te leve é para além dessa rua dada e salgada
Virará em alguma esquina rolando com o vento
Rolará para cima das perseguições
cansados andam os que desamam em outono,
agora começam o crugir dos amantes que voltam a se prometerem coisas
Demoro no outono a querer voltar, as ressurreiçoes estão mais perto e há o vinho, o amigo nunca esquecido
No laranja padecemos, perdoar é um prazeroso abraço
Sem medo de dizer
"deixem-me ir preciso andar"
A música vence o calor cansado e o que precisamos é do que podará a rama
Nenhuma árvore tem medo do outono
O amante perfeito se revela entre as folhas calvas
A imprecisa maneira de olhar o caminho e tomarlo
Acima sobem pela campina as velhas monotonias
Se sonha melhor a partir de agora, porque começa arder o fogo de alguma verdade
Subindo e suando nas alturas vai a procissão, os caminantes da terra fazem as pazes com a altura
Se lembram dos poetas no outono
E saem orações mais sentidas
o amor toma os jardins rodeados de passaros atrás das sementes, do caqui, algumas amantes estão ainda abertas por dentro
Incendiadas casas
as pequenas casas da utopia
os hinos insistem que feio é o fascismo
Os amantes sentem as dores no outono
E se amam

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