Bom dia, companheiros

Bom dia, Thiago. Bom dia, companheiro.

Uma borboleta entra na cozinha. A humidade é imensa hoje e o chão solta uma água turva. A gata brinca, o inseto paira. Não sei se esses sabem de injustiças. Mas o ser humano saber é sua maneira de voar. E voar para nós é sem asas, porque asas evadem.

Ele foi preso injustamente. Esse sistema que nos confunde, que engendra tramas e pune os que amam, segue brutal. 

Tenho um amigo preso. Ele que esteve no muro de Gaza para dizer Que vergonha, esse é o muro da vergonha e Israel é a vergonha da humanidade.

Meu amigo quando os matadores o torturaram, sonhou. Ali estive na cela dos que arranharam as paredes com Patria Livre e agora só a Memória pode evitar o cão dos esquecimentos. 

Hoje ele está no inferno outr vez. 

Não imaginava que acompanharia com aflição a prisão de alguém um dia, de uma pessoa que se recusa a viver o pequeno-amor-da-casa-burguesa, e vai além mar, porque seu mundo é uma família, porque os ventos lhe falam da Vida com Todos.

Quando eu era pequena via esses filmes de Mandela, de Hurricane e tantos.. e recém aprendia como sofrem os negros, os indígenas, os palestinos... Eu não sabia nada de nada, ainda não sei. Mas aprendi um sentimento que vem aos poucos, vem doído...solidariedade... e foi talvez depois de ouvir: "Cantando en el cerro, llorando en el río, se agranda en la noche la pena del indio" de atahualpa..

Aos vinte poucos anos, fui dar bom dia a Lula em Curitiba, esse ato me ensinou algo... nunca parar de falar, não ter medo desse escuro onde colocam as grandes almas.

Estamos todos nessa teia padecendo... e os que ousam vão levar na cabeça pelos covardes. 

Hoje espero que a injustiça volte ao seu lugar de esgoto da história, e todos os que amam e peitam  essas franquias do fascismo, essas demagogias conservadoras, o vil sionismo, possam ser liberados para criar jardins comunitários. 

E se não o forem, teremos padecido junto. Escutando "la pena del índio". Escutando de pé.

Porque aí está nosso voo como humanidade, na companhia, e não na pequena liberdade burguesa de andar por aí em voos desonestos. 

Força, Thiago, força, meu amigo, duelando contra un monstro grande que pisa fuerte, toda la pobre inocencia de la gente. 



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