Encontro no meio do frio
Ela me olhava como filha, enquanto apoiava-se em su mãe, e a mãe dela me olhava como vó, e era um intricado jogo de olhares, não dava para forçar nada, tanto tempo...Mas eu buscava o momento que nos olharíamos as três e Franca e sua mãe me dissessem agora podemos partir.
No final da noite algo assim disse a abuela suspirando...
- Agora posso partir, já conheci minha neta...
Depois completou que queria ir pras montanhas nevadas antes de morrer.
Há sempre algo que a vida nos põe de desejo, pra espantar a morte.
Essa história ela guardou nas costas sem poder fazer contato. Agora terminou.
É imensa a frieza do engano, o quadrado no redondo que é a instituição-amor-de-família. E se fosse apenas o amor, amplo e sem portas fechadas? No sangue apenas essa estranha proximidade e tambem abismos... natural e simples querer.
Hoje o frio, a neve nas ruas de Berlin, e as costas largas de minha vó. Que quente é o retorno ao colo que nunca vivi. Colo que se queria subir.

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