invocação de terras livres
Vem!
Territórios sem dogmas
Mata virgem
Terra de encontro
Onde ainda renasce la yerba, o mate
onde ainda o mar amansa e aumenta a alma
onde o rio margeia o manguezal
Pedras manuseadas, apachetas
A mulher que percorre e toma a água
A fauna e o fogo
A Terra do verdadeiro
Sem a mácula do discurso
Com Bastidas, a que desencantou a mentira
Terra sem males, ivy marae, sem esse teu mal olhar, sem esse teu teatro, ivy marae
Onde a lebre, o jaguar acunam
Onde a peste não entra
onde não se vende amigo
Você que inventou o pecado, faça favor de desinventar toda essa escuridão
Peito frio, levas dentro uma faca e nós de peito aberto
nessa intempérie
Malinche...
sabe bem Abya Yala teu nome
Lá fora os nativos ventos
as árvores que se escondem de ti
os animais que se escondem de ti
Colonizas em deboches a febre do vulcão que eras
Colonizas a palavra mapungun
vendes o fogo
Não sabes nada do que cresce mais
colecionas árvores exóticas, flores ornamentais, para matá-las depois
O sul na sua boca sangra
Violeta Parra teria vergonha de como abusas da palavra
Sem honra
Sem honra, só vaidade
E tua vaidade come a alma de tudo que resiste

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