Senhora Buro
Esses dias que a poesia está em outra casa, vejo uma Senhora tomar nossa sala com um Olho Gordo particular.
Desde a manhã até a noite ela se mistura entre a chuva e a máquina de digitar.
Entra pela casa com roupas cinzas e prazos, e aperta as costas com algo que se parece a uma faca... e sussurra: "desiste".
Apesar de todas as tentativas e exigências seguidas de números e mais números, sua imponente altura segue inalcansável.
Senhora Buro... ah senhora..
Aqui debaixo olho sua moderna torre de babel cada vez mais alta... A cada certidão vencida, um novo desentendimento com os fins.
A torre cresce, uma gargalhada sarcástica bate a janela com o vento... fim do horário comercial.
Um amigo comparte um café pobre e lamentamos a lista completa de pendencias que são mais duras que a pedra que faz a casa, mais altas que o sol do seus singelos sonhos.
Sinto falta da arte. Mas não posso ir brincar com ninguém. Estou dedicada como os limoes do patio estão azedos. Não imaginava que quando minha mãe dizia "brincar só depois do dever", seria os prenúncios daqui.
Grandes sonhos nascem na infância das horas, nas camas, nas caminhadas ao ar livre, mas logo lhes gritam mãos aos alto.
E se são pelo bem comum! É como se fazer coisas junto a outras pessoas fosse o mais antinatural possível.
Contratos, assinaturas e inseguranças.
Aqui estamos...
Uma carreta em areia fofa. Era só um pedacinho de terra praquele casal plantar e ser feliz. Era só uma floresta pra proteger, um centro cultural que queria viver ao lado mercado. Mas o justo vira miragens....
Sobrará algum tempo pra o que É ser em paz?
As reuniões são de um time fatigado pelo adversário.
O mundo quer saber se estamos de acordo com ele.
As leis querem saber se as estamos escutando.
Os enganadores querem saber se ganharão suas vantagens sobre nós.
E no princípio era o verbo tranquilo com outto verbo. Confiança um nos outros, te dou minh palavra... Mas aí a mentira dos homens criou essa antimúsica...
Estávamos quietos. Escutando o chiar da chuva. Campo... Ninguém a 1km de distância. Algum pássaro. Algum galho mexendo... e então bateram palmas.
Pela porta chegava um amigo agarrado ate o pescoço..era ela.
Tentei tirar o polvo da sua cara, da sua garganta, e ele nem se mexia, se resignava "nao se resigne companheiro. Vamos vamos"
No hospital nunca dirão que alguém morreu de certificados, de escrituras incompletas...sempre culparão nossos queridos órgãos agonizados...
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