Estes do meio

 Meio do caminho


A história do amor está desde o princípio

A história da flor no meio do peito está desde o princípio.

As vértebras, as pálpebras, as arestas, os vértices estão desde o princípio.

O princípio do amor está desde o princípio 

O princípio do abismo, da noite

O princípio 

Os desde o princípio

Os animais, a culpa, os antros, a magia estão desde o princípio. 

A pedra, a rocha, a guerra, a armadilha estão desde o princípio.

Mas antes do princípio

havia um tempo sem princípio

Em que dançavam  

 cantavam

os de dentro do peito sem permisso

Sem princípio, os amorais - os desaparecidos destes tempos atuais, onde tudo é moralmente imoral

Os que andavam envoltos em mariposas

Os que andavam cheios de outra coisa

Esses que sussurram -anda-le, anda-le a la vida

Andale e beijos, anda-le e correr na beira, anda-e cantavam "china, sos, de los ventos", chino, sos, dos temperos - riam

Estes que dizem coisas da viagem que nunca se baixaram, que cantam aos mares, estes que não sabem de princípios

nem finais

Que estão para o enganchar de um instante

E tudo o que precisamos não está quando chega o beijo da encomenda

está na imaginação obreira do livre,  

Os sem princípios, estes que são chamados porque amam sem cara de amor, estes que estão presos, castigados, castigados, estes, estes não virão DEPOIS

Estão escondidos entre poemas, entre poetas, se escondem somente entre os marginais, não fazem grandes coisas para posar de grandes coisa 

Estes que canto, estão e seguem amamentando a esperança da revelação, os hambrientos de vida, estão chamando-a por seu nome, não estão evitando-a

estão aqui, estão correndo os riscos de existir, não estão a medias

não estão pouco

não estão pouco a pouco

 não estão construindo, nem estão destruindo, 

estão para outra coisa, estes que antes do início, antes dos cosmos 

Porque não estão no tempo, estes nomes da pedra, estes nomes da flor feita para estar ida

Estes das cavernas cheias de poemas, de poetas malditos, estes de bares em que uma garota entra, sordidamente, feita para o amor, e o outro sabe, e todos sabem, que isso é uma coisa grandíssima, e que feios são os que esperam o depois.

Eu sei que você sabe o que digo, porque nós, atados nesse destino de morais e princípios e fins que juatifica...nos perdemos no meio do caminho.


Comentários

Postagens mais visitadas