Toto

Ele vinha de Cruz del Eje e ria era quando chegava na altura da tirada larga, 

tirava a alpargata pra pisar nas chalchas 

Via ele passar e saludava seu coro lascado

Mais adiante subiam as crianças do rincón, 

Iam direto pro fundo. Nos bancos trocavam figurinhas, escutavam a professora seguir dando aula "portense bien aqui también, chicos", mas eles nem escutavam, embarcados, sonhavam em se dar as mãos.

Logo Toto chegava nas águas, a uma ponte com niños gritones. Ali se banhava todo como cachorro velho.

Era azul e velho  o cole Toto. Um amigo de costas largas.


Até que chegou tambem seu dia. 

Como chegou ao trem azul mineiro...e a tantos. 

Um dia não passou mais.

Um dia de repente o cancelaram

de velho, de gasto, de algo

Não pode mais passar por nenhum bairro mugrento de sanmarcos


Não chegou nem a ver a inauguração do terminal. Ele teria rido, feito alguma piada, ou quiçá, humilde, diria "no era para tanto, chicos, soy un paisano acostumbrado a lo viejo" ...


Depois que se foi, escutava o barulho de onibus ao longe, mas olhava e vinha um moderno bus com nome parecido a Sargento...

 

Es que Toto era como um trem, como totoro, como totó la momposina, 

toto era um niño viejo e latino.


E tão azul, del barrio de los soñeros



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O Ônibus do Toto é uma lenda viva do noroeste da província de Córdoba. Trata-se do serviço que durante décadas foi carinhosamente apelidado em homenagem ao seu motorista e pioneiro na região, ligando Cruz del Eje a San Marcos Sierras. 




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