De maças e capelinhas de melã

 Tenho uma amiga

Que me deu uma mesinha de cabeceira

Talhada à mão 

com uma gaveta delicada

Não sabia o que fazer com um presente tão elevado

Todas as caixas de fruta, esses móveis improvisados do quarto me olharam e olhamos a mesinha

Minha amiga também me deu um livro que lhe contei que alguém havia me roubado, uma edição especial dos 15 anos.

Ela encontrou e de natal desembrulhou a surpresa 

Desconfio que seja uma boa amiga

Dessas tão raras, tan buenas

Cada empreitada que nos metemos, e ela ali, apostando as parcas fichas que ganha ao mês.


Uma vez sonhei, desses sonhos loucos

Que minha amiga em outra vida era um monje franciscano e cuidava uma capela dentro de pedras.

E quando a encontrei no sonho, esse monje era brincalhão como sao os de Assis. Comia uma maçã, ria e me levou pra dentro das pedras onde havia um altar simples e luminoso.

Acordei sem muitas surpresas dessa visão.

Há amizades que a maçã e a capelinha-de-melão se unem e a vida, que andava por um fio, volta a mostrar sua cara de noche buena.

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