Godivas

Caminha como queiras! 

Dizer "Mulher Rebelde" é redundância... assim como Amor Livre é redundância, o amor é livre...ou não é... Uma mulher é rebelde a sua maneira, e há tantas!

Rebeldia é da própria vida. E godiva é tantos carnavais.

Nos une esse espaço côncavo quieto e maduro, o nome dele é um sussurro.. um murmúrio....

Vai agarrada a nada... Nem às regras da rebeldia... e bueno, se alguém gosta das regras e se sente rebelde assim, viva! Aí está.

Não te deixe agarrar tão fácil pelas palavras que te inflam a ser MAIS.

Há tantos jeitos. A palavra mulher está em disputa, incluso mulheres brigando com outras, como antes se brigava pela palavra Deus.

Apenas existir nesse espaço sábio chamado corpo e no corpo maior chamado tempo... imensamente godiva.

Sem jogos que prometam superioridade, ou inferioridade, porque a vida é interdependência. E como somos nada...

Sem jogos que mintam que somos para batalha ou para submissão, que subestimem a imensidão da nossa existência.

Godiva, odara, ponha qualquer rumo que dance nas tuas pernas. 

Um desmanchar na tarde, um rumor do vazio. Isso também é poder.... 

Ser uma entre tantas, qual problema? Ser comum, ser parte, pode ser esplendor.  

O que uma conservadora me ensina? o que uma evangélica me fala do arquétipo feminino? o que uma feminista ensina? Ouvir todas...

Hoje é tão cansativo essas frases de efeito puxando para um lado, para outro, como se fossemos bobas...massa de manobra... Por isso quando minha amiga, rindo, me diz que é uma Godiva do vale, vejo aí toda o deboche do verbo em sua boca.

As redes me dizem: escolhe entre o roxo, o preto, o verde, deteste o rosa, invada o azul, volte ao laranja, desista do bege... seja totalmente transparente ... e mulheres pipocam com medo do véu.. entre fluxos que terminam em vendas..likes.. 


Godivas dos matagais

Se convivêssemos longe dos centros urbanos, nossas indagações sobre ser mulher poderia ser tantas mais. Tão mais ricas. Estamos repensando ser Mulher imersas no lugar mais viciado e - justamente - criado para nos ter cativas!

Centro das hipocrisias....Uma godiva pode ser Qualquer Coisa mas não é de hipocrisias.

Cidade é bom para encontros,  mas há que reconhecer o que falta. 

Pouco questionamos esse lugar de "pensar o mundo". E as godivas rurais, mantem o brilho justo!

Na pracinha, no boteco, nas redes, na universidade, na oficina de arte nos reunimos para questionar as amarras... Mas e os outros espaços selvagens, rurais, caminhos, marés... não nos ajudariam a repensar o mundo? 

Pensar com palavras diferentes, pensar lispectormente,  pensar descascando a palavra mulher. Pensar com vento dentro...

E se olhamos os contornos, há privilégios e prisões de ouro e  tantos abismos entre discursos... 

Já foi o tempo da Godiva de Irajá que andava nua pela urbe no conversível. Hoje ela deve cavalgar por aí... montada em imensas árvores na Amazônia, em barcos, em bicis, com saias, calças com carrapicho, desnuda de cidade... cansada desse erro todo ali. 

Há tanta submissão à religião individualismo,  à religião do conhecido urbanito, da posse ciumenta, à religião do positivismo e do pouco mistério.... Estamos submissas a tantos circuitos que estimulam o ego ora brigar com esse e ora com aquele. E nos encheram de pedras as mãos!!!!!

Criar a vida?  criar louca e livremente?  É pra isso tanto.

Ninguém precisa nos dizer que somos Mais, ninguém precisa de docinhos emocionais, de livros inflamados de ódios... Minha godiva amiga me disse que o sonho dela era ser ninguém. E enquanto falava isso, ela ria.

Há uma assepsia no ar, um medo de perder poder sem fim. 

E uma coisa que nossa godiva de irajá nos ensinou era que ninguém lhe tirava o poder, porque ela arriscava tudo.

Hoje o medo mudou de casa, está no panótico das redes e ninguém arrisca mais nada. É medo de perder poder social, perder trabalho, perder poder pra velhice, para feiura, para a solidão, para o casamento... medo de ser cancelado...medo de errar, medo do outro.

 
Saímos de casa e nos prometemos criar liberdades e outros mundos. Mas o futuro profissional é batizado por um roteiro de renome que agrada uma salinha familiar com tv grande e elogio seguros. 

A vida anônima sem status? O viver de improviso, de marmitas, de aventuras, de plantar, de colher, de amores, da casa aberta, de informalidades?  

Godiva animal informal 


informatável. 


Godiva das vilas e dos manguezais, desnuda-te mais, porque a coisa tá séria para nós mulheres.











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