incêndio
essa obscura insônia demora a passar
não há ninguém na rua
todos que tentaram contato, golpearam as palmas
e ninguém abriu
o vento corre pelas margens
a casa está caindo pau a pau
despojo trás despojo
E nenhum gota na tormenta
a vila está quieta ao redor, você não dorme, não há meios
entre o calor e as moscas
o podre que acompanha o vencido animal
meu nome sumiu..o seu...
o eco de um dia a acorda sobressaltada
há um susto
um engodo não solta a carne e carnicêia como abutre a alma
mas o vento negro insiste
ninguém ouve
é negro é de los negros!
e a terra arde nas reservas de chubut!
Como presságio, os campos de arroz do Japão arqueiam em alguma memoria
nenhum sobrevivente repartindo sopas no alto cerro
o pedaço do telhado que o sol entra é onde esperas já nenhuma chuva
só incêndio sol incêndio
que parecem acentuar para comer tudo
todos estão seguros e certos em suas fortalezas da superfície amorfa
Mas os leprosos dessa finitude, os que arriscaram tudo pelo fogo
guardam a outra metade da vida
espero teu rosto
entre homens quase mortos de esperança
espero tua voraz sede de vida
o vento entrará pela janela do teu peito aberto
o vento o ultimo elemento a ser rendido

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